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Como definir o seu pró-labore no negócio de impressão 3D

O que é pró-labore, como calcular um valor que o negócio aguenta pagar e como separá-lo do lucro e do dinheiro de reinvestimento.

Como definir o seu pró-labore no negócio de impressão 3D
Neste artigo

Resposta rápida: Pró-labore é o salário fixo que você tira do negócio pelo seu trabalho. Para definir, olhe o lucro médio dos últimos 3 meses, reserve uma parte para reinvestir e para emergências e defina um valor fixo que o negócio consiga pagar mesmo em meses fracos, geralmente entre 50% e 70% do lucro médio. Pague sempre na mesma data e trate o valor como custo fixo na hora de calcular preços e metas.

Quando o negócio de impressão 3D começa a vender, é comum tirar dinheiro do caixa sempre que precisa: um mercado aqui, uma conta ali. No fim do mês, ninguém sabe quanto o negócio lucrou nem quanto você ganhou. Definir um pró-labore coloca ordem nisso: o negócio paga o seu salário, e o resto fica para crescer.

Neste guia você vai ver como calcular um valor justo, com exemplos em reais, como pagar na prática e o que fazer quando o lucro ainda não dá para se pagar.

O que é pró-labore?

É a remuneração pelo trabalho do dono do negócio. A palavra vem do latim e quer dizer “pelo trabalho”, como explica o verbete de pró-labore da Wikipédia. Na prática, é o seu salário. É diferente do lucro:

TermoO que é
Pró-laborePagamento pelo seu trabalho, fixo e mensal
LucroO que sobra depois de pagar todos os custos, inclusive o pró-labore
ReinvestimentoParte do lucro usada para comprar impressoras, estoque, ferramentas

Se você não se paga um pró-labore, o lucro do negócio parece maior do que é, e os preços acabam baixos demais.

Por que ter um valor fixo?

  • Você sabe quanto vai receber e consegue planejar as contas da casa.
  • O negócio sabe quanto precisa faturar para pagar você.
  • Fica mais fácil calcular o preço certo, porque seu trabalho entra como custo.
  • Evita retiradas que esvaziam o caixa e atrapalham a compra de filamento.

Pense no contrário. Você tira R$ 200 numa semana para o mercado, R$ 150 na outra para uma conta e R$ 300 para um presente. No fim do mês saíram R$ 650 do negócio, sem ninguém perceber, e ainda fica a sensação de que ganhou pouco. Com um valor fixo, essa conta fica clara.

Como calcular um pró-labore justo?

O cálculo usa números que você já tem, se anota as vendas e os gastos do negócio. São quatro passos, e o último compara o resultado com as suas contas de casa.

Os 4 passos para definir o pró-labore: lucro médio de 3 meses, reinvestimento e reserva, valor do mês fraco e contas de casa

1. Veja o lucro médio dos últimos 3 meses

Aqui, lucro é o que sobra antes de você se pagar. Some o que entrou e desconte filamento, energia, embalagens, taxas e outros custos, e depois divida o total dos três meses por 3. Se ainda não controla isso, comece agora e use os próximos meses como base. O guia de como saber se o seu negócio está dando lucro mostra como fazer essa conta.

2. Separe uma parte para reinvestir e para emergências

Uma divisão comum para pequenos negócios:

DestinoPercentual do lucro médio
Pró-labore50% a 70%
Reinvestimento (impressoras, peças, ferramentas)20% a 30%
Reserva de emergência10% a 20%

O artigo quanto guardar para reinvestir aprofunda essa parte.

3. Escolha um valor que caiba nos meses fracos

Se o lucro varia muito, defina o pró-labore pelo mês mais fraco, não pelo melhor. Nos meses bons, a sobra vai para a reserva ou para o reinvestimento.

Exemplo:

MêsLucro
JulhoR$ 1.400
AgostoR$ 1.100
SetembroR$ 1.700
MédiaR$ 1.400

Com 60% da média, o pró-labore seria R$ 840. Como agosto teve R$ 1.100, esse valor cabe mesmo em um mês fraco.

4. Compare com as suas contas de casa

Liste o que você precisa por mês para viver: aluguel, mercado, contas. Se o valor que o negócio pode pagar é menor do que isso, a diferença tem que vir de outra fonte por enquanto, como outro trabalho. Ela não pode sair do dinheiro do filamento. Saber esse número também mostra quanto o negócio precisa crescer para pagar o que você realmente precisa. Se a casa pede R$ 2.500 por mês e o negócio paga R$ 840, faltam R$ 1.660, que precisam vir de outra renda enquanto as vendas crescem.

Exemplo: o mesmo pró-labore em meses bons e fracos

Com o pró-labore de R$ 840 e a divisão de 60% para você, 25% para reinvestir e 15% para a reserva, a média de R$ 1.400 fica assim: R$ 840 de salário, R$ 350 para reinvestir e R$ 210 para a reserva. Mas os meses não são iguais. Veja o que acontece em cada um:

MêsLucro antes do pró-laborePró-laboreSobra para reinvestir e reservar
JulhoR$ 1.400R$ 840R$ 560
AgostoR$ 1.100R$ 840R$ 260
SetembroR$ 1.700R$ 840R$ 860

O seu salário não muda. Quem muda é a sobra. Em agosto, sobrou menos para guardar. Em setembro, sobrou mais, e esse dinheiro cobre o mês fraco que vier depois. É assim que um valor fixo protege você e o negócio ao mesmo tempo.

Quanto pode ser o salário em cada fase

Para ter uma referência rápida, veja a faixa de 50% a 70% aplicada a lucros médios diferentes:

Fase do negócioLucro médio antes do salárioFaixa de 50% a 70%
ComeçandoR$ 600R$ 300 a R$ 420
Vendendo toda semanaR$ 1.400R$ 700 a R$ 980
Negócio firmeR$ 3.000R$ 1.500 a R$ 2.100

Use a ponta de baixo enquanto as vendas variam muito ou a reserva ainda está vazia. Vá para a ponta de cima quando o lucro estiver estável e as caixinhas do negócio já tiverem dinheiro.

Pró-labore fixo ou com uma parte variável?

Há quem prefira um modelo misto: um valor base menor, garantido todo mês, mais um extra quando o mês é bom. Por exemplo, uma base de R$ 700 mais 20% do lucro que passar de R$ 1.200:

MêsLucroPró-labore fixoBase + extra
JulhoR$ 1.400R$ 840R$ 740
AgostoR$ 1.100R$ 840R$ 700
SetembroR$ 1.700R$ 840R$ 800

No modelo misto você recebe um pouco menos no total, mas o negócio fica mais folgado nos meses fracos: em agosto, sobram R$ 400 em vez de R$ 260. O fixo é mais simples e previsível. O misto combina com quem tem vendas que variam muito ao longo do ano. Escolha um e mantenha por pelo menos três meses antes de mudar.

Pró-labore e valor da hora de trabalho

O pró-labore também ajuda a definir o valor da sua hora, usado no preço das peças:

Cálculo do valor da hora a partir do pró-labore: R$ 2.000 por mês divididos por 100 horas de trabalho dão R$ 20 por hora

Valor da hora = pró-labore desejado ÷ horas trabalhadas no mês

Se você quer R$ 2.000 por mês e trabalha 100 horas no negócio (atendendo, preparando impressões, fazendo acabamento e entregando), sua hora vale R$ 20. Esse é o valor que deve entrar como mão de obra no preço de cada peça. Uma peça que toma 30 minutos do seu trabalho recebe, então, R$ 10 de mão de obra no preço. O guia de como precificar impressão 3D mostra onde ele entra.

É esse caminho que fecha a conta: o valor da hora entra no preço, o preço paga a mão de obra em cada venda, e é dessas vendas que sai o seu salário no fim do mês. Se a mão de obra fica fora do preço, o pró-labore sai do lucro, e o negócio para de crescer.

Pró-labore quando o negócio tem sócio

Com dois ou mais sócios, separe duas coisas: o trabalho e o dinheiro investido. O pró-labore paga o trabalho, então deve seguir as horas de cada um. O lucro paga o investimento, então pode ser dividido conforme o que cada um colocou no negócio.

Exemplo: dois sócios compraram a impressora meio a meio. Um trabalha 80 horas por mês no negócio e o outro, 40. Com a hora a R$ 20, os pró-labores ficam em R$ 1.600 e R$ 800. O lucro que sobrar depois disso é dividido em partes iguais, porque o investimento foi igual. Deixe esse combinado por escrito desde o começo.

Se um dos sócios só colocou dinheiro e não trabalha no dia a dia, ele não recebe pró-labore. A parte dele vem do lucro, quando houver. Isso evita a discussão mais comum entre sócios: quem trabalha mais sentir que está pagando a conta de quem trabalha menos.

Pró-labore no MEI

Para o MEI, o que você retira do negócio para uso pessoal é, na prática, o seu rendimento. O MEI já paga a contribuição previdenciária no DAS mensal. Para empresas em outros regimes, o pró-labore formal pode ter impostos e contribuições. Em caso de dúvida, confirme com um contador. As regras e os valores do DAS ficam no Portal do Empreendedor, o site oficial do governo para o MEI.

Mesmo no MEI, faça a retirada como uma transferência da conta do negócio para a sua conta pessoal, com valor e data fixos. Fica registrado, e no fim do ano você sabe exatamente quanto tirou.

Como pagar o pró-labore na prática?

Definido o valor, o que faz o pró-labore funcionar é a rotina. Siga estes passos todo mês:

Checklist da rotina do pró-labore: conta separada, data fixa, transferência do valor combinado, sem retiradas extras e revisão periódica
  1. Tenha uma conta separada para o negócio. Veja como separar o dinheiro pessoal do negócio.
  2. Escolha uma data fixa, por exemplo, dia 5 de cada mês.
  3. Transfira o valor combinado da conta do negócio para a sua conta pessoal.
  4. Não faça outras retiradas durante o mês. Se precisar de dinheiro extra, trate como exceção e anote.
  5. Revise o valor a cada 3 ou 6 meses, conforme o lucro crescer.

E se precisar de dinheiro antes da data?

Acontece. Nesse caso, trate a retirada como um adiantamento: anote o valor e desconte do próximo pagamento. Se você tirou R$ 200 no dia 20, no dia 5 seguinte recebe R$ 640 em vez de R$ 840. Assim o total do mês continua o mesmo e o caixa não leva susto.

Como registrar nas contas do negócio

Na planilha ou no sistema que você usa, lance o pagamento como uma saída fixa do negócio, numa categoria só dele. Assim, o relatório do mês mostra o lucro de verdade, já depois do seu salário. Retiradas extras ganham outra categoria, para não se misturarem. Num sistema de gestão como o Meu Sócio 3D, o relatório de lucro de cada mês facilita achar a média dos últimos três meses, que é a base de todo o cálculo.

Pró-labore para quem faz impressão 3D como renda extra

Se você tem outro emprego, o negócio de impressão 3D não precisa pagar todas as suas contas, pelo menos no começo. Mesmo assim, vale definir um pró-labore. Pode ser um valor pequeno, como R$ 300 por mês, com um destino claro: uma conta da casa, uma meta de viagem, a parcela de algo.

Imagine um lucro médio de R$ 600 por mês. Com R$ 300 de salário, sobram R$ 300 por mês no negócio. Em seis meses, são R$ 1.800 para as reservas, para filamento em maior quantidade ou para uma segunda máquina, se a fila de pedidos pedir.

Deixar essa sobra no negócio até as reservas estarem formadas faz a renda extra crescer de forma organizada, e você enxerga quanto ela de fato rende. Se um dia quiser viver só da impressão 3D, o histórico desses meses mostra se o negócio aguenta pagar o salário de que você precisa.

E quando o negócio ainda não dá lucro?

No começo, pode não sobrar nada para o pró-labore. Nesse caso:

  • Defina um valor simbólico e pague mesmo assim, para criar o hábito.
  • Ou não retire nada, mas registre o valor da sua hora nas contas, para saber o custo real do seu trabalho.
  • Estabeleça uma meta: “quando o faturamento passar de R$ X, começo a me pagar R$ Y”.

Para achar esse R$ X, some o pró-labore aos outros custos fixos e divida pela margem que sobra das vendas. Exemplo: R$ 400 de custos fixos mais R$ 840 de pró-labore dão R$ 1.240. Se sobram 55% de cada venda depois dos custos variáveis, o negócio precisa vender cerca de R$ 2.255 por mês (R$ 1.240 ÷ 0,55). Com um preço médio de R$ 45, são 51 pedidos.

O guia de ponto de equilíbrio ajuda a calcular o faturamento necessário para pagar o pró-labore que você deseja.

Sinais de que o valor está alto ou baixo demais

Depois de dois ou três meses, os números mostram se o valor escolhido está certo. Fique de olho nestes sinais:

  • Alto demais: você precisa tirar da reserva quase todo mês, a compra de filamento atrasa ou o saldo da conta do negócio vive perto de zero.
  • Baixo demais: o dinheiro se acumula no negócio sem destino, você faz retiradas extras com frequência ou sente que trabalha muito e recebe pouco.
  • No ponto: o salário sai sempre na data, as reservas crescem um pouco por mês e sobra dinheiro para repor o material sem aperto.

Se aparecer um sinal de alto ou de baixo, ajuste aos poucos, em passos de 10% a 15%, e observe mais dois meses antes de mexer de novo.

Erros comuns ao definir o pró-labore

  • Tirar dinheiro “quando dá”. Sem data e valor fixos, o caixa nunca se organiza.
  • Definir pelo melhor mês. Em dezembro as vendas sobem; em fevereiro, costumam cair. Use a média ou o mês mais fraco.
  • Não contar o próprio tempo no preço. Se a mão de obra não está no preço das peças, não vai sobrar dinheiro para o pró-labore.
  • Usar o dinheiro do filamento. O estoque de material precisa ser reposto com o dinheiro das vendas, antes de qualquer retirada.
  • Esquecer que ninguém paga suas férias. Quem trabalha por conta própria não tem 13º nem férias pagas. Se quiser ter, guarde uma parte da reserva com esse destino.
  • Copiar o valor de outra pessoa. O salário de um conhecido não diz nada sobre o seu negócio. O número certo sai do seu lucro e das suas horas.

Perguntas frequentes sobre pró-labore

Qual a diferença entre pró-labore e lucro?

Pró-labore é o pagamento pelo seu trabalho, fixo e mensal. Lucro é o que sobra depois de pagar todos os custos, incluindo o pró-labore. O pró-labore paga as suas contas de casa. O lucro serve para reinvestir, formar reservas e, quando sobra bastante, pode ser retirado à parte, de vez em quando.

Quanto tirar de pró-labore no começo?

Um valor que o negócio consiga pagar mesmo no mês mais fraco, geralmente entre 50% e 70% do lucro médio dos últimos meses. Se o lucro ainda é baixo ou varia muito, comece pelo número menor e suba depois de três meses estáveis.

MEI precisa pagar pró-labore?

O MEI não tem obrigação de formalizar um pró-labore como as empresas maiores, mas definir uma retirada fixa ajuda muito na organização. Na prática, essa retirada funciona como o seu salário e deixa o caixa previsível. Confirme detalhes fiscais com um contador.

Posso aumentar o pró-labore depois?

Pode e deve, conforme o lucro crescer. Revise o valor a cada 3 ou 6 meses. Um bom sinal para aumentar é quando o lucro médio dos últimos três meses subiu e a reserva de emergência já está completa. Aumente aos poucos, para o novo valor também caber num mês fraco.

Posso receber o pró-labore em duas vezes no mês?

Pode. Algumas pessoas preferem receber metade no começo e metade no meio do mês, para acompanhar as contas de casa. O que importa é que as datas e os valores sejam fixos, e não retiradas soltas sempre que falta dinheiro.

O que fazer num mês em que o lucro não cobre o pró-labore?

Complete com a reserva de emergência, se ela existir, e anote. Se acontecer dois ou três meses seguidos, o valor está alto demais para o momento: reduza até as vendas voltarem, em vez de esvaziar a reserva.

Anderson Olsen

Criador do Meu Sócio 3D, sistema de gestão para makers e fazendas de impressão 3D. Sobre o autor · Todos os artigos

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