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Quanto guardar para reinvestir no negócio de impressão 3D

Quanto do lucro separar para trocar a máquina, comprar filamento e ter reserva para imprevisto, com exemplo em porcentagem e valores em reais.

Quanto guardar para reinvestir no negócio de impressão 3D
Neste artigo

Resposta rápida: Para saber quanto guardar para reinvestir, separe de 20% a 30% do lucro de cada mês (de 10% a 15%, se o lucro ainda for baixo), depois de pagar todos os custos e o seu pró-labore. Divida esse valor em três caixinhas: fundo da máquina, estoque de material e fundo para imprevisto. Com R$ 600 de lucro e 25% reservados, você guarda R$ 150 por mês e chega a R$ 1.800 em um ano.

Vender impressão 3D e gastar tudo que entra é o jeito mais rápido de travar o crescimento. Aprender a reinvestir no negócio de impressão 3D é separar uma parte do lucro para trocar a máquina um dia, comprar mais filamento, ter uma reserva quando algo quebra e, aos poucos, fazer o negócio crescer sozinho. Neste post vou explicar quanto guardar para reinvestir, como dividir esse dinheiro e mostrar um exemplo com porcentagem e valores em reais.

Nada aqui é complicado. A ideia é simples: em vez de o dinheiro sumir todo mês, uma parte dele fica trabalhando a favor do negócio. Vou falar de guardar para a máquina, guardar para o material, montar um fundo para imprevisto (porque peça quebra) e quanto do lucro faz sentido separar.

Por que reinvestir no negócio de impressão 3D importa

Reinvestir é pegar uma parte do que o negócio ganhou e devolver para ele, em vez de gastar tudo com você. Parece que você está perdendo dinheiro, mas é o contrário: é assim que o negócio cresce sem você ter que colocar dinheiro do bolso toda hora.

Pense no que acontece se você não reinveste nada:

  • Quando a impressora quebra, você não tem dinheiro para consertar e o negócio para.
  • Quando acaba o filamento, falta dinheiro para repor e você perde vendas.
  • Quando aparece a chance de comprar uma segunda máquina para produzir mais, você não tem como.

Quem reinveste no negócio de impressão 3D tem uma reserva para esses momentos. Não é sorte, é ter guardado antes. O negócio que só tira dinheiro e nunca coloca de volta vive no sufoco.

Reinvestir não é gastar à toa. É guardar hoje para não travar amanhã.

De onde sai o dinheiro que você vai reinvestir?

Antes de falar em porcentagem, vale entender a ordem do dinheiro. O que os clientes pagam não é todo lucro. Esse dinheiro passa por algumas etapas, e só o que sobra no fim pode ser reinvestido sem apertar as contas.

Tabela do faturamento ao lucro: R$ 3.000 de vendas, menos custos, desgaste da máquina e pró-labore, sobram R$ 600 de lucro no mês
  1. Faturamento: tudo o que os clientes pagaram no mês.
  2. Custos de produção e venda: filamento, energia, embalagem e as taxas de cartão e de marketplace.
  3. Desgaste da máquina: a parte do preço que paga o uso da impressora, se você já cobra isso nas peças.
  4. Custos fixos: as contas que chegam todo mês, vendendo ou não, como internet, DAS do MEI e assinaturas.
  5. Pró-labore: o seu salário, um valor fixo pelo seu trabalho.
  6. Lucro: o que sobra depois de tudo isso. É daqui que sai o dinheiro para reinvestir.

Veja com números. Imagine um mês em que o negócio faturou R$ 3.000:

EtapaValor
Faturamento do mêsR$ 3.000
Custos de produção e venda− R$ 800
Desgaste da máquina (vai para o fundo da máquina)− R$ 100
Custos fixos− R$ 500
Pró-labore− R$ 1.000
Lucro do mêsR$ 600

Os R$ 3.000 pareciam muito dinheiro, mas o lucro de verdade foi R$ 600. Se você calculasse 25% em cima do faturamento, guardaria R$ 750, mais do que todo o lucro do mês. Faltaria dinheiro para as contas. Por isso a porcentagem é sempre sobre o lucro. Se ainda não sabe quanto tirar de salário, veja como definir o seu pró-labore no negócio de impressão 3D.

Quanto do lucro guardar para reinvestir

Não existe número mágico para quanto guardar para reinvestir, mas uma regra fácil para começar é separar de 20% a 30% do lucro. Repare: é do lucro, não de tudo que entrou. Lucro é o que sobra depois de pagar todos os custos e o seu salário.

Por que uma porcentagem e não um valor fixo? Porque assim o quanto você guarda cresce junto com o negócio. Num mês fraco você guarda pouco, num mês forte você guarda mais. Fica justo com a sua realidade.

Como dividir o que você vai reinvestir

Guardar por guardar não basta. É melhor dividir o dinheiro reservado em três destinos, para cada um ter a sua função:

  1. Fundo da máquina. Para trocar ou consertar a impressora quando chegar a hora.
  2. Estoque de material. Para nunca faltar filamento e, quando puder, comprar em maior quantidade e mais barato.
  3. Fundo para imprevisto. Para o dia em que algo quebra ou uma venda cai por água abaixo.

Cada um desses é uma caixinha separada. Assim, quando o bico entope ou a fonte queima, você tira do fundo certo e não bagunça o resto.

Guardar para trocar ou consertar a máquina

A impressora 3D é uma ferramenta que se gasta com o uso. Bico, correia, fonte, motor: tudo tem hora de trocar. E um dia a máquina inteira fica velha e precisa ser substituída. Se você não guardou nada, essa troca vira uma dor de cabeça.

A conta é parecida com a do desgaste que você já deveria colocar no preço da peça. Uma máquina de R$ 2.000 que dura umas 4.000 horas se gasta a R$ 0,50 por hora de impressão. Se num mês a máquina rodou 200 horas, ela “gastou” R$ 100 de vida útil. Guardar esses R$ 100 no fundo da máquina é o que vai pagar a próxima impressora sem susto.

Se o desgaste já está no preço, não conte duas vezes

Se você já cobra o desgaste em cada peça, esses R$ 0,50 por hora não são lucro. São a devolução de uma parte do que a máquina custou. Os contadores chamam essa perda de valor de depreciação: o quanto um bem vale menos a cada mês de uso. O certo é mandar esse dinheiro direto para o fundo da máquina, antes de calcular o lucro, como na tabela do começo do post.

Nesse caso, a parte do lucro que vai para o fundo da máquina vira dinheiro para melhorar: trocar por um modelo mais rápido, comprar uma peça de upgrade ou juntar para uma segunda impressora. Se você ainda não cobra o desgaste, a parte que sai do lucro é a única proteção da máquina. A conta completa está em depreciação da impressora 3D: por que incluir no preço.

Quanto tempo leva para juntar uma máquina nova

Voltando ao exemplo: a impressora de R$ 2.000 roda 200 horas por mês e dura umas 4.000 horas, ou seja, cerca de 20 meses. Se você guarda os R$ 100 do desgaste todo mês, no fim desses 20 meses terá R$ 2.000, o preço de uma máquina igual.

Somando os R$ 60 por mês que saem do lucro (o exemplo completo está mais abaixo), o fundo recebe R$ 160 por mês. Em 20 meses, são R$ 3.200. Dá para trocar por uma máquina melhor, ou comprar a nova e manter a antiga funcionando enquanto ela aguentar.

Guardar para material e para imprevisto

O estoque de material é dinheiro guardado para o filamento nunca acabar. Quando você tem uma reserva, pode comprar um rolo a mais quando o preço está bom, ou comprar em maior quantidade e pagar menos por grama. Quem compra material só quando acaba, na correria, costuma pagar mais caro e às vezes fica sem.

Nas empresas, o dinheiro que mantém a produção andando, entre a compra do material e o pagamento do cliente, faz parte do capital de giro. Na impressão 3D, é ele que deixa você aceitar uma encomenda grande sem precisar esperar o cliente pagar para comprar o filamento.

O fundo para imprevisto é a caixinha do “e se”. E se a peça quebra no meio da impressão e você perde 80 gramas de filamento e 6 horas de trabalho? E se o cliente cancela depois de você já ter impresso? Esses tombos acontecem. Com uma reserva, eles doem menos.

Um exemplo de imprevisto que come o lucro

Você aceitou uma encomenda e comprou R$ 90 de filamento especial só para ela. No meio da impressão, faltou luz e a peça de 10 horas foi perdida. Você gastou material, energia e tempo, e vai ter que imprimir de novo. Sem um fundo para imprevisto, esse prejuízo sai do seu bolso. Com o fundo, o próprio negócio absorve o tombo.

Até quando guardar em cada caixinha?

Uma caixinha não precisa crescer para sempre. Vale definir uma meta para cada uma. Quando ela chega lá, a parte dela passa para as outras ou vai para um plano de crescimento, como uma segunda impressora.

CaixinhaMeta sugeridaExemplo
Fundo da máquinaO preço da próxima máquinaR$ 2.000
Estoque de materialUm mês de filamentoR$ 600 (6 rolos de R$ 100)
Fundo para imprevisto1 a 2 meses de custos fixosR$ 500 a R$ 1.000

Para saber quanto filamento você usa por mês, some os rolos que comprou nos últimos três meses e divida por três. O guia de como controlar o estoque de filamento sem perder rolo mostra como acompanhar isso rolo a rolo.

Com os valores do exemplo deste post, o estoque de material passa de R$ 600 no 12º mês, porque recebe R$ 52,50 por mês. O fundo para imprevisto passa de R$ 500 no 14º mês, com R$ 37,50 por mês. Parece devagar, e é mesmo. A meta ajuda justamente por isso: você enxerga o progresso e sabe a hora de parar de guardar em uma caixinha para reforçar outra.

Exemplo com porcentagem do lucro

Vamos a um mês fechado para ficar claro. Digamos que o negócio deu um lucro de R$ 600 no mês (o que sobrou depois de pagar tudo e o seu salário). Você decide reinvestir 25% desse lucro, ou seja, R$ 150. Uma forma de dividir:

Cálculo de quanto guardar para reinvestir: 25% de um lucro de R$ 600 dá R$ 150 por mês, divididos entre máquina, material e imprevisto
CaixinhaParteValor
Fundo da máquina40%R$ 60
Estoque de material35%R$ 52,50
Fundo para imprevisto25%R$ 37,50
Total reinvestido100%R$ 150

Parece pouco em um mês. Mas veja o que acontece ao longo do ano, se você repetir todo mês:

CaixinhaPor mêsEm 12 meses
Fundo da máquinaR$ 60R$ 720
Estoque de materialR$ 52,50R$ 630
Fundo para imprevistoR$ 37,50R$ 450
Total no anoR$ 150R$ 1.800

No fim de um ano, você tem R$ 720 guardados para a próxima máquina, R$ 630 para material e R$ 450 para imprevistos. Foi o mesmo negócio, o mesmo lucro. A diferença é que uma parte foi guardada com destino, em vez de sumir.

Ajuste a porcentagem ao seu momento

Se você está começando e o lucro é baixo, comece com 10% ou 15%. Se o negócio já está firme e você quer crescer rápido, pode subir para 30% ou mais. O número não é uma lei. O que não pode é ser zero para sempre.

Na prática, quanto guardar para reinvestir muda com a fase do negócio. Veja como as faixas ficam em reais:

Momento do negócioQuanto guardar do lucroExemplo
Começando, com lucro baixo10% a 15%Lucro de R$ 300: R$ 30 a R$ 45
Negócio firme20% a 30%Lucro de R$ 600: R$ 120 a R$ 180
Crescendo rápido30% ou maisLucro de R$ 1.200: R$ 360 ou mais

Quem faz da impressão 3D uma renda extra pode ficar na primeira faixa por um bom tempo, e tudo bem. O importante é criar o hábito. Quando o lucro subir, a porcentagem sobe junto.

Onde vale a pena reinvestir o dinheiro guardado?

Ter o dinheiro guardado é metade do caminho. A outra metade é gastar bem quando chegar a hora. Antes de tirar dinheiro de uma caixinha, faça uma pergunta simples: isso vai me ajudar a vender mais, gastar menos ou correr menos risco? Se a resposta for não para as três, provavelmente é melhor esperar.

  • Peças de reposição: ter um bico, uma correia e uma mesa extra em casa evita dias de máquina parada esperando entrega.
  • Filamento em maior quantidade: comprar vários rolos das cores que mais vendem, quando o preço está bom, baixa o custo por grama.
  • Melhorias que poupam tempo: uma ferramenta de acabamento melhor ou um jeito mais rápido de embalar podem liberar horas do seu trabalho toda semana.
  • Uma segunda impressora: faz sentido quando a fila de pedidos vive cheia e a primeira máquina já não dá conta. Veja quando vale a pena comprar outra impressora 3D.

E onde costuma não valer: comprar uma máquina nova sem ter pedidos para ela, encher a prateleira de cores que ninguém pede ou trocar de equipamento só porque saiu um modelo novo. Esses gastos parecem investimento, mas prendem o dinheiro que poderia segurar o negócio num mês fraco.

Como separar o dinheiro todo mês, passo a passo

Guardar dinheiro funciona melhor como rotina do que como força de vontade. Escolha um dia do mês, de preferência logo depois de fechar as contas do mês anterior, e siga sempre a mesma ordem.

Os 6 passos para separar o dinheiro do reinvestimento todo mês: fechar o mês, separar o desgaste, pagar o pró-labore e transferir
  1. Feche o mês. Some tudo o que entrou e tudo o que saiu. O guia de como saber se o seu negócio 3D está dando lucro mostra um fechamento simples.
  2. Separe o desgaste. Se você cobra o desgaste nas peças, mande esse valor para o fundo da máquina.
  3. Pague o seu pró-labore. Ele vem antes do lucro, sempre na mesma data.
  4. Calcule o lucro. É o que sobrou depois dos custos e do seu salário.
  5. Aplique a porcentagem. Por exemplo, 25% do lucro, dividido entre as três caixinhas.
  6. Transfira no mesmo dia. Se deixar para depois, o dinheiro acaba gasto no dia a dia.

Anote cada transferência numa planilha simples, com uma linha por mês e uma coluna para cada caixinha. Em poucos meses você terá um histórico que mostra quanto guardou, quanto usou e para quê.

Erros comuns ao guardar dinheiro para reinvestir

  • Guardar “o que sobrar”. Sem uma porcentagem e uma data, quase nunca sobra. Defina o número antes de o mês começar.
  • Gastar todo o lucro do mês bom. Mês de muita venda é justamente quando dá para guardar mais. É ele que segura os meses fracos.
  • Tapar preço baixo com a reserva. Se todo mês você precisa tirar das caixinhas para pagar as contas, o problema está no preço das peças, não na reserva.
  • Comprar por impulso. Promoção de impressora ou de filamento não é motivo, sozinha, para usar o dinheiro guardado. Antes, pergunte se a compra ajuda a vender mais, gastar menos ou correr menos risco.
  • Não anotar nada. Sem registro, você não sabe quanto tem em cada caixinha e acaba misturando tudo de novo.

Planilha ou sistema para acompanhar as reservas

Qualquer ferramenta serve, desde que você use todo mês. O que importa é enxergar três números: quanto o negócio lucrou, quanto foi guardado e quanto já tem em cada caixinha.

No fim, dá para controlar tudo isso na mão: um caderno ou uma planilha com uma coluna para cada caixinha, e a disciplina de separar a porcentagem todo mês. Funciona, e é assim que muita gente começa. O trabalho é lembrar de fazer o cálculo, mover o dinheiro e não esquecer nenhum mês.

Um sistema como o Meu Sócio 3D acompanha o lucro de cada mês e ajuda a enxergar quanto dá para separar, com relatórios que mostram para onde o dinheiro está indo, sem você precisar refazer as contas toda vez. Se quiser testar antes de decidir, dá para usar por 7 dias grátis, sem cadastrar cartão.

Perguntas frequentes sobre quanto guardar para reinvestir

Reinvestir é a mesma coisa que não me pagar?

Não. Primeiro você tira o seu salário (o pró-labore), depois calcula o lucro e só então separa a parte para reinvestir. Reinvestir sai do lucro, não do seu pagamento. Você continua se pagando.

Onde guardo esse dinheiro?

Numa conta ou aplicação separada, longe do dinheiro do dia a dia, para não gastar sem querer. Pode ser uma conta digital só para as reservas do negócio. O importante é não deixar junto com o resto.

Posso usar o fundo da máquina para outra coisa?

O ideal é não. Cada caixinha tem um destino. Se você usar o fundo da máquina para pagar filamento, quando a impressora quebrar não vai ter dinheiro. Misturar as reservas é o começo do problema que você quis evitar.

E se eu nunca conseguir sobrar para guardar?

Aí o problema não é a reserva, é o lucro. Se nunca sobra nada, vale rever o preço das peças ou os custos. Não dá para reinvestir um lucro que não existe. Primeiro o negócio precisa dar lucro.

Comprar filamento em promoção conta como reinvestimento?

Conta, se o dinheiro sair da caixinha do material e você comprar os tipos e as cores que já vendem. Comprar muitos rolos de uma cor que ninguém pede só prende dinheiro na prateleira. Antes de aproveitar a promoção, veja quantos rolos daquela cor você usou nos últimos meses.

Com que frequência devo revisar a porcentagem?

A cada três meses, ou quando algo grande mudar, como a compra de uma impressora ou um aumento forte nas vendas. Compare o que foi guardado com a meta de cada caixinha. Se alguma já chegou lá, passe a parte dela para as outras.

Anderson Olsen

Criador do Meu Sócio 3D, sistema de gestão para makers e fazendas de impressão 3D. Sobre o autor · Todos os artigos

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