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Precificação

Como incluir a taxa de falha no preço da impressão 3D

Como medir quantas impressões você perde, transformar isso em percentual e somar ao custo para não pagar as falhas do próprio bolso.

Como incluir a taxa de falha no preço da impressão 3D
Neste artigo

Resposta rápida: A taxa de falha é o percentual do custo que você acrescenta ao preço para cobrir impressões perdidas. Para calcular, divida o custo das impressões que falharam no mês pelo custo de todas as impressões. Como ponto de partida, use de 5% a 10% para peças simples em PLA e de 15% a 25% para peças grandes, demoradas, em resina ou em materiais difíceis. Depois, ajuste com o seu histórico.

Toda impressora falha de vez em quando: a peça descola da mesa, o filamento enrosca, a energia cai, o suporte não segura. Se o preço não considera esse risco, cada falha sai do seu lucro. A taxa de falha é a forma de repartir esse custo entre todas as peças que dão certo.

Neste guia você vai ver o que entra no custo de uma falha, como calcular a sua taxa com uma anotação simples, quais percentuais usar em cada tipo de peça e como colocar esse valor no preço sem mexer no seu lucro.

O que entra no custo de uma falha?

Quando uma impressão falha, você perde:

  • O material já gasto.
  • A energia e o desgaste das horas que a impressora trabalhou.
  • O seu tempo para limpar, reiniciar e acompanhar.
  • Às vezes, o prazo de outro cliente que estava na fila.

Uma peça de 8 horas que falha na sétima hora custa quase o mesmo que uma peça pronta, sem gerar nenhuma venda.

Veja um exemplo com números. Um vaso de 100 gramas, com 8 horas de impressão, descola da mesa na sétima hora. Até ali, ele gastou cerca de 87,5 gramas de filamento. Usando R$ 0,10 por grama, uma impressora de 120 watts, kWh a R$ 0,90, desgaste de R$ 0,40 por hora e hora de trabalho a R$ 20, a conta fica assim:

ItemContaValor
Filamento perdido87,5 g × R$ 0,10R$ 8,75
Energia7 h × 0,12 kW × R$ 0,90R$ 0,76
Desgaste da máquina7 h × R$ 0,40R$ 2,80
Seu tempo para limpar e recomeçar15 min a R$ 20/hR$ 5,00
Custo da falhasomaR$ 17,31

São R$ 17,31 perdidos, e a peça ainda precisa ser impressa de novo. Se o cliente estava esperando, a reimpressão também empurra a fila e pode atrasar outras entregas.

Como calcular a sua taxa de falha?

Anote durante um mês todas as impressões, as que deram certo e as que falharam. Depois faça a conta:

Os 6 passos para calcular a taxa de falha na impressão 3D: anotar as impressões, somar os custos e dividir as falhas pelo total
ItemExemplo
Custo total de todas as impressões do mêsR$ 800
Custo das impressões que falharamR$ 60
Taxa de falha (60 ÷ 800)7,5%

Com esse número, você sabe quanto somar ao custo de cada peça. Se não tem histórico, comece com uma estimativa e ajuste depois de um ou dois meses.

O passo a passo fica assim:

  1. Anote cada impressão do mês: peça, horas, gramas e se deu certo.
  2. Calcule o custo de cada uma, com material, energia e desgaste.
  3. Some o custo das impressões que falharam e o custo de todas.
  4. Divida o primeiro valor pelo segundo para achar a taxa.
  5. Use esse percentual no custo das peças do mês seguinte.

Um ajuste para a conta ficar exata

A conta acima é a forma rápida, e funciona bem para taxas pequenas. Mas repare: dos R$ 800 gastos, R$ 740 viraram peças boas. Se você somar 7,5% ao custo dessas peças, recupera R$ 55,50 (R$ 740 × 0,075), e ficam faltando R$ 4,50.

Para cobrir exatamente o que foi perdido, divida o custo das falhas pelo custo das impressões que deram certo: R$ 60 ÷ R$ 740 = 8,1%. Com 8,1%, você recupera R$ 59,94, praticamente os R$ 60 perdidos. Quanto maior a taxa, maior a diferença entre as duas contas. Em resina e em peças grandes, vale usar a conta exata.

Quais percentuais usar?

Valores de referência, que variam de acordo com a sua impressora e experiência:

Tabela de referência com a taxa de falha por tipo de peça, de 3% em peças pequenas de PLA a 30% em modelos impressos pela primeira vez
Tipo de peçaTaxa de falha comum
Peças pequenas em PLA, modelos já testados3% a 5%
Peças médias em PLA5% a 10%
Peças em PETG, ABS ou TPU10% a 15%
Peças grandes (mais de 10 horas)15% a 20%
Resina, principalmente peças grandes15% a 25%
Modelo novo, imprimindo pela primeira vez20% a 30%

Peças longas têm mais chance de falhar porque ficam mais tempo expostas a imprevistos. E quando falham, perdem mais.

As luminárias de lua são um bom exemplo, porque podem ficar mais de 12 horas na mesa. Veja como esse risco entra na conta em quanto cobrar por uma luminária impressa em 3D.

Por que usar uma taxa para cada tipo de peça

Usar a mesma taxa para tudo parece mais simples, mas pode esconder um prejuízo. Imagine um mês com R$ 500 de custo em peças pequenas, em que as falhas somam 3% desse valor, e R$ 600 em peças grandes, em que as falhas somam 20%.

Com uma taxa única de 5%, você guarda R$ 25 nas pequenas e R$ 30 nas grandes: R$ 55 no total. Só que as falhas custaram R$ 15 nas pequenas (3% de R$ 500) e R$ 120 nas grandes (20% de R$ 600), ou R$ 135. Faltaram R$ 80, e quem pagou foi o seu lucro.

Com uma taxa para cada tipo, de 3% e de 20%, a reserva cobre os R$ 135. As peças pequenas ficam até um pouco mais baratas, e as grandes passam a pagar o risco que elas mesmas trazem.

E na resina?

Na resina, a falha costuma ser coletiva: se a placa descola ou um suporte cede, todas as peças daquela impressão podem ser perdidas de uma vez. Além da resina gasta, o tanque precisa ser filtrado para tirar os pedaços curados, e o FEP (a película do fundo do tanque) pode ser danificado por uma sobra presa nele. Por isso a resina fica na parte de cima da tabela, e a conta exata, que divide as perdas pelas peças boas, faz mais diferença.

Como aplicar a taxa de falha no preço?

A taxa entra sobre o custo, antes da margem de lucro:

Conta da taxa de falha no preço: custo de R$ 30, taxa de 10% que leva o custo a R$ 33 e margem de 100% com preço final de R$ 66
EtapaValor
Custo da peça (material, energia, desgaste, mão de obra)R$ 30,00
Taxa de falha de 10%+ R$ 3,00
Custo com riscoR$ 33,00
Margem de lucro de 100%+ R$ 33,00
Preço de vendaR$ 66,00

Sem a taxa, o preço seria R$ 60. Os R$ 6 de diferença parecem pouco, mas, somados em todas as vendas do mês, pagam as falhas sem mexer no seu lucro. Veja a fórmula completa em como precificar impressão 3D.

Por que antes da margem? Porque a reserva para falhas é custo, como o filamento. Se você aplicar a margem só sobre os R$ 30 e somar os R$ 3 da taxa no fim, o preço fica em R$ 63. Os R$ 3 a menos saem justamente do seu lucro.

Na prática, a conta inteira cabe em uma linha: custo × 1,10 × 2. O 1,10 é a taxa de falha de 10%, e o 2 é a margem de 100%. Troque os números pelos seus e você chega no preço de qualquer peça em poucos segundos.

A taxa de falha substitui a margem de lucro?

Não. São coisas diferentes:

  • A taxa de falha cobre um custo que vai acontecer: as peças perdidas.
  • A margem de lucro é o que sobra para você e para reinvestir.

Se você usa a margem para cobrir falhas, no mês com muitas falhas o lucro some. O artigo sobre margem de lucro explica como definir a margem.

Com a reserva separada, você também enxerga o tamanho de um mês ruim: é só ver quanto as falhas passaram do que foi reservado. Sem ela, todas as falhas saem do lucro, e você só percebe quando faz as contas do mês.

E quando o cliente pede uma peça muito difícil?

Peças com paredes muito finas, grandes balanços sem suporte ou tamanho próximo ao limite da mesa têm risco maior. Nesses casos:

  • Aumente a taxa de falha só para aquele orçamento.
  • Explique ao cliente que é uma peça de risco e que pode precisar de ajustes.
  • Combine se uma reimpressão por falha técnica está incluída ou não.
  • Se possível, sugira mudanças no modelo que reduzam o risco, como engrossar paredes ou dividir a peça em partes.

Dividir uma peça grande em duas ou três partes coladas depois costuma reduzir bastante a chance de falha e o material perdido quando algo dá errado.

Exemplo: uma peça com R$ 40 de custo, paredes finas e tamanho perto do limite da mesa. Em vez dos 10% de costume, use 25% só nesse orçamento: o custo protegido vai de R$ 44 para R$ 50. Com 100% de margem, o preço passa de R$ 88 para R$ 100. Se o cliente aceitar mudar o modelo e reduzir o risco, você volta para a taxa normal e o preço cai.

Taxa de falha em lotes e pedidos grandes

Em pedidos com muitas peças iguais, a taxa de falha também serve para planejar a produção. Se a sua taxa nesse tipo de peça é de 5% e o cliente pediu 50 unidades, programe algumas a mais desde o começo. A conta é 50 ÷ 0,95 = 52,6, ou seja, 53 peças.

As peças extras já estão pagas pela taxa que você colocou no preço. Se todas derem certo, as sobras podem virar reposição para o próprio cliente ou amostras para outros orçamentos. O que não dá é descobrir na véspera da entrega que faltam três peças e que a impressora está ocupada com outro pedido.

Como avisar o cliente quando a peça falha?

Mesmo com a taxa no preço, uma falha às vezes atrasa a entrega. Nesses casos, avise o cliente assim que perceber o problema, já com a nova data calculada. Uma mensagem curta resolve: “A impressão da sua peça falhou e já recomecei. A nova previsão é quinta-feira à tarde.” Explicar em uma frase passa mais confiança do que deixar o cliente sem notícia até o dia da entrega.

Para evitar esse aperto, deixe uma folga no prazo das peças longas. Se a impressão leva 14 horas, prometer a entrega para o dia seguinte não deixa espaço para uma segunda tentativa. Um dia a mais no prazo costuma custar menos do que uma noite sem dormir para cumprir o combinado.

Como reduzir a sua taxa de falha?

Baixar a taxa de falha permite cobrar preços mais competitivos sem perder lucro. As causas mais comuns e o que fazer:

  • Primeira camada ruim: limpe a mesa e calibre a altura do bico.
  • Filamento úmido: seque antes de usar. Veja como secar filamento úmido.
  • Queda de energia: considere um nobreak (aparelho com bateria que mantém a máquina ligada quando a luz cai) para peças longas.
  • Suportes insuficientes: revise o fatiamento antes de peças caras.
  • Manutenção atrasada: bico gasto e correias frouxas causam falhas.

O artigo sobre como reduzir falhas de impressão traz uma lista completa. Para a primeira camada, o guia da Prusa sobre problemas na primeira camada explica os defeitos mais comuns e como corrigir cada um (o texto está em inglês).

Cada ponto a menos na taxa é dinheiro que volta. No exemplo dos R$ 800 por mês, cair de 7,5% para 4% de falhas economiza R$ 28 por mês (R$ 60 menos R$ 32), sem mudar nenhum preço.

Como acompanhar as falhas sem complicar?

Uma anotação simples já resolve: data, peça, horas perdidas, gramas perdidas e motivo. No fim do mês, some e recalcule a taxa. Com o tempo, você descobre quais peças ou materiais mais falham e pode ajustar a taxa por tipo de produto.

Exemplo de anotação:

DataPeçaHoras perdidasGramas perdidasMotivo
03/10Luminária lua6 h120 gDescolou da mesa
07/10Suporte de fone2 h35 gFilamento enroscou
15/10Vaso grande9 h210 gQueda de energia

Três linhas como essas já mostram onde agir: melhorar a adesão da primeira camada e pensar em um nobreak para peças longas.

Dá para colocar valor nessas linhas. Com R$ 0,10 por grama, impressora de 120 watts, kWh a R$ 0,90 e desgaste de R$ 0,40 por hora, a luminária perdida custou R$ 15,05, o suporte de fone R$ 4,52 e o vaso grande R$ 25,57. São R$ 45,14 em material, energia e desgaste, sem contar o seu tempo.

No precificador do Meu Sócio 3D existe um campo de risco de falha em percentual, somado ao custo antes da margem de varejo e de atacado.

Erros comuns com a taxa de falha

  • Usar a margem para cobrir falhas. No mês ruim, o lucro some e você não sabe por quê.
  • Usar a mesma taxa para tudo. As peças grandes e as de resina acabam pagando menos risco do que trazem.
  • Contar só o filamento perdido. Energia, desgaste e o seu tempo de limpar e recomeçar também fazem parte da falha.
  • Subir a taxa para esconder um problema da máquina. Se a taxa passa de 15% em peças simples, o problema está na produção. Ajuste a impressora antes de aumentar o preço.
  • Cobrar do cliente a falha que foi sua. Falha técnica é risco do produtor e já está na taxa. Só um erro do cliente, como uma medida errada, justifica nova cobrança.
  • Nunca revisar o número. A taxa muda quando você troca de material, de máquina ou de tipo de peça. Refaça a conta a cada um ou dois meses.

Checklist mensal da taxa de falha

Uma vez por mês, separe dez minutos para conferir estes pontos:

  • As falhas do mês foram anotadas, com horas, gramas e motivo.
  • O custo de cada falha inclui material, energia, desgaste e o seu tempo.
  • Em resina e em peças grandes, você usou a conta exata, que divide as perdas pelas peças boas.
  • Peças grandes, resina e modelos novos têm uma taxa própria.
  • A taxa entra no custo antes da margem, em todos os produtos.
  • Os pedidos em lote já saem com peças extras programadas.
  • O motivo de falha que mais se repetiu tem uma correção marcada na agenda.

Perguntas frequentes sobre taxa de falha

Qual taxa de falha usar na impressão 3D?

Para peças simples em PLA, de 5% a 10% é um bom ponto de partida. Para peças grandes, resina ou materiais difíceis, de 15% a 25%. Esses números servem só para começar: depois de um ou dois meses anotando as falhas, troque pela sua taxa real.

A taxa de falha deve ser cobrada à parte do cliente?

Não precisa aparecer separada. Ela entra no custo da peça, como o filamento e a energia, e o cliente vê só o preço final. Mostrar a taxa como um item à parte pode parecer uma cobrança extra, quando ela é só uma parte do custo de produzir.

Se uma peça do cliente falhar, quem paga?

Falhas de impressão são risco do produtor e já estão cobertas pela taxa de falha. Se o erro vier do cliente, como um arquivo com problema ou medida errada, combine a cobrança da reimpressão. O ideal é deixar essa regra escrita no orçamento, antes de começar.

Como calcular a taxa de falha sem histórico?

Comece com 10% para FDM e 20% para resina. Anote as falhas por um mês e ajuste o percentual. Uma planilha com data, peça, horas, gramas e motivo já basta para chegar na sua taxa real.

A peça que quebra no acabamento conta como falha?

Conta. Se a peça quebra ao tirar o suporte, ao lixar ou ao colar, o material, a energia e o tempo também foram perdidos. Anote essas perdas junto com as falhas de impressão. Se elas se repetem em um tipo de peça, vale rever o suporte ou a posição da peça na mesa.

De quanto em quanto tempo devo recalcular a taxa?

Refaça a conta a cada um ou dois meses e sempre que mudar algo importante: uma impressora nova, um material novo ou um tipo de peça que você nunca fez. Se a taxa cair, você pode baixar o preço ou ficar com a diferença como lucro.

Anderson Olsen

Criador do Meu Sócio 3D, sistema de gestão para makers e fazendas de impressão 3D. Sobre o autor · Todos os artigos

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