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Precificação

7 erros de preço que fazem você ter prejuízo na impressão 3D

Os 7 erros de preço na impressão 3D que comem seu lucro sem você perceber, com exemplos em reais e como corrigir cada um deles.

7 erros de preço que fazem você ter prejuízo na impressão 3D
Neste artigo

Resposta rápida: Os erros de precificação que mais dão prejuízo na impressão 3D são esquecer a energia, o desgaste da máquina, o seu tempo e as falhas, copiar o preço do concorrente, vender sem margem e dar desconto sem fazer a conta. Juntos, eles fazem uma peça que deveria sair por R$ 44,15 ser vendida por uns R$ 10. Cada erro tem uma correção simples.

Vender peça impressa e mesmo assim não ver dinheiro sobrar no fim do mês é mais comum do que parece. Quase sempre o problema está nos erros de precificação na impressão 3D. São pequenos esquecimentos na conta que, somados, comem todo o seu lucro. A boa notícia é que dá para consertar cada um deles.

Neste post eu listo os 7 erros de precificação que mais causam prejuízo na impressão 3D. Para cada um, mostro um exemplo com números reais em reais (R$) e explico como corrigir. Leia com calma e veja quais deles você está cometendo.

Por que os erros de precificação causam tanto prejuízo?

Porque a maioria deles é invisível. Você não vê o desgaste da máquina saindo da sua conta, não sente a energia gasta, não coloca preço no seu próprio tempo. Aí a peça parece que deu lucro, mas o dinheiro simplesmente não aparece.

Checklist dos 7 erros de precificação na impressão 3D: energia, desgaste, tempo, falhas, preço do concorrente, margem e desconto

O jeito de fugir dos erros de precificação é colocar tudo na conta, até o que não dá para ver. Vamos aos sete.

Os 7 erros de preço que dão prejuízo

Erro 1: esquecer a energia

Muita gente calcula só o filamento e esquece a luz. Parece pouco, mas a impressora fica horas ligada, e algumas peças demoram um dia inteiro.

Exemplo: uma impressora que gasta 150 watts, ligada por 10 horas, consome 1,5 kWh. Se o kWh custa R$ 0,90, são R$ 1,35 de energia só nessa peça. Em 30 peças no mês, R$ 40,50 que você não cobrou de ninguém.

Como corrigir: descubra a potência da sua impressora, calcule o gasto por hora e some no custo de cada peça. É centavo por hora, mas some no fim.

Erro 2: não contar o desgaste da máquina

A impressora não é eterna. Bico entope, correia estica, a placa queima, o motor cansa. Um dia você troca a máquina inteira. Se não cobrar um pouquinho por hora, esse dinheiro sai do seu bolso na hora do conserto.

Exemplo: uma impressora de R$ 2.500 que você espera usar por 3.000 horas antes de trocar ou reformar dá R$ 0,83 por hora só de desgaste. Em uma peça de 8 horas, são R$ 6,64 que precisam estar no preço.

Como corrigir: divida o valor da máquina (mais peças de reposição) pelas horas que ela deve durar. Some esse valor por hora no custo. Isso é o que se chama de guardar dinheiro para a próxima impressora. O post sobre depreciação da impressora 3D mostra como estimar essas horas.

Erro 3: não cobrar o próprio tempo

Este é um dos erros de preço mais fáceis de cometer. Você prepara o arquivo, acompanha a impressão, tira da mesa, lixa, pinta, embala e ainda conversa com o cliente. Tudo isso é trabalho, e trabalho tem preço.

Exemplo: você gasta 40 minutos de trabalho manual em uma peça. Se a sua hora vale R$ 25, são R$ 16,67 de mão de obra. Sem cobrar isso, você está trabalhando de graça e chamando de lucro o que é só reembolso do filamento.

Como corrigir: defina quanto vale a sua hora e cronometre o tempo que gasta em cada peça. Some no custo. Seu tempo não é de graça.

Erro 4: ignorar as falhas de impressão

Nem toda impressão dá certo. A peça descola, o filamento acaba no meio, entope o bico. Esse plástico e essas horas foram para o lixo, mas continuam custando.

Exemplo: se a cada 10 peças 1 falha, você tem 10% de perda. Numa peça que custa R$ 15 para produzir, isso significa somar mais ou menos R$ 1,50 para cobrir o risco das falhas. Na conta exata, como as 9 peças boas pagam também a que falhou, a reserva seria de R$ 1,67 (R$ 15 ÷ 9). A diferença é pequena, mas mostra que arredondar a taxa para cima é o caminho mais seguro.

Como corrigir: acompanhe quantas impressões falham por mês e passe isso para porcentagem. Some essa porcentagem no custo de todas as peças. Assim as boas pagam pelas ruins. O post sobre como incluir a taxa de falha no preço mostra como anotar as falhas sem complicar.

Erro 5: copiar o preço do concorrente

Olhar o preço do vizinho e cobrar igual parece esperto, mas é um tiro no escuro. Você não sabe o custo dele, a impressora dele, o filamento dele, nem se ele está tendo lucro. Pode ser que ele também esteja no prejuízo, e você vai junto.

Exemplo: o concorrente vende um vaso a R$ 20. Você copia. Só que a sua impressora gasta mais energia e o seu filamento é mais caro, e o seu custo é R$ 18. Sobra R$ 2, uma margem de 10%, que some com a primeira falha.

Como corrigir: use o preço do concorrente só como referência de mercado, nunca como base da conta. Seu preço nasce do seu custo mais a sua margem. Se o seu preço justo ficar muito acima do mercado, o problema é o seu custo, e é ele que você ataca.

Erro 6: não ter margem de lucro

Tem gente que soma todos os custos e vende por esse valor, achando que está bem. Só que cobrir o custo não é lucro. É empatar. Sem margem, o negócio não cresce e não sobra nada para você.

Exemplo: peça com custo total de R$ 12,00 vendida por R$ 12,00. Você trocou material e tempo por R$ 0,00 de ganho. Fez tudo certo na produção e nada certo no preço.

Como corrigir: depois de somar todos os custos, aplique uma margem. Use a fórmula preço = custo ÷ (1 − margem). Com margem de 40%, aquela peça de R$ 12,00 passa a R$ 20,00, e sobram R$ 8,00 de verdade. Cuidado para não confundir margem com markup: somar 40% em cima do custo dá só R$ 16,80 e uma margem de 28,6%. O post sobre margem de lucro na impressão 3D explica a diferença.

Erro 7: dar desconto sem saber o custo

O cliente pede desconto, você dá na hora para não perder a venda. O problema é dar desconto sem saber quanto de folga você tem. Um desconto pequeno pode comer toda a sua margem.

Exemplo: peça vendida a R$ 20 com custo de R$ 14 (margem de 30%). O cliente pede 25% de desconto e você aceita: preço cai para R$ 15. Agora sobra R$ 1,00. Você quase pagou para trabalhar.

Como corrigir: antes de dar desconto, olhe o custo e a margem. Só desconte até onde ainda sobra lucro. Se não sobra, ofereça uma peça mais simples em vez de cortar o preço no osso. Outras saídas, como brinde ou desconto por quantidade, estão no post sobre como dar desconto sem perder lucro.

Como saber se estou cometendo erros de precificação?

Faça um teste rápido. Pegue uma peça que você vende bastante e responda, com número, cada pergunta:

  • Quanto de energia essa peça gasta?
  • Quanto de desgaste da máquina ela representa?
  • Quanto do meu tempo entrou nela?
  • Estou cobrindo o custo das falhas?
  • Qual é a minha margem de verdade, em porcentagem?

Se você travou em alguma resposta, ali está um dos erros de precificação. Cada pergunta sem resposta é dinheiro escapando.

Juntando tudo em uma conta

Vamos ver como fica o preço de uma peça quando você corrige todos os erros de uma vez. Peça média, 6 horas de impressão, 50 gramas de filamento.

ItemContaValor
Filamento50 g × R$ 0,12R$ 6,00
Energia6 h × R$ 0,10R$ 0,60
Desgaste da máquina6 h × R$ 0,83R$ 4,98
Seu tempo0,5 h × R$ 25,00R$ 12,50
Reserva para falhas (10%)10% de R$ 24,08R$ 2,41
Custo total–R$ 26,49
Preço com margem de 40%26,49 ÷ 0,60R$ 44,15

Quem esqueceu energia, desgaste, tempo e falhas venderia essa mesma peça por uns R$ 10 (só o filamento com um pouco a mais). E acharia que estava lucrando. A diferença entre R$ 10 e R$ 44 é exatamente o tamanho do prejuízo dos erros de precificação.

Quanto esses erros custam no fim do mês?

Uma peça vendida errado parece pouca coisa. O problema é a repetição. Na peça do exemplo acima, o custo completo é R$ 26,49. Veja o resultado de 30 vendas por mês com três preços diferentes:

Tabela com o resultado de 30 vendas da mesma peça: prejuízo de R$ 494,70 no preço no chute e lucro de R$ 529,80 com 40% de margem
Preço cobradoResultado por peçaResultado em 30 peças
No chute: R$ 10,00Prejuízo de R$ 16,49Prejuízo de R$ 494,70
Só o custo: R$ 26,49R$ 0,00R$ 0,00
Com 40% de margem: R$ 44,15Lucro de R$ 17,66Lucro de R$ 529,80

Quem vende no chute não só deixa de ganhar: paga quase R$ 500 por mês para trabalhar. E nem percebe, porque o dinheiro das vendas entra no caixa e esconde o buraco.

O prejuízo aparece aos poucos. O rolo acaba antes do esperado, a conta de luz vem mais alta, a máquina pede conserto e não tem dinheiro guardado. Quando isso acontece, o erro já se repetiu dezenas de vezes.

Sinais de que o seu preço está errado

Nem sempre dá para ver o erro na conta da peça. Às vezes ele aparece no caixa. Estes sinais pedem uma revisão dos seus preços:

  • Você vende bastante, mas o dinheiro não sobra no fim do mês.
  • Quando a máquina quebra, não há dinheiro guardado para o conserto.
  • Comprar filamento novo aperta o caixa, mesmo com boas vendas.
  • O seu preço é bem mais baixo que o de peças parecidas, e mesmo assim falta dinheiro.
  • Você evita fazer a conta porque tem medo do resultado.

Se você se reconheceu em algum deles, pegue as três peças que mais vende e refaça o custo completo de cada uma. Comece por elas porque um erro numa peça que vende muito se repete mais vezes.

Outros erros de precificação que também tiram dinheiro

Os sete erros acima são os maiores, mas não os únicos. Fique de olho também nestes:

  • Esquecer as taxas da venda. Marketplaces e maquininhas ficam com uma parte do preço. Se a plataforma leva 15%, a venda de R$ 44,15 deixa só R$ 37,53 para você. Para receber o valor cheio, o preço precisa ser R$ 51,94 (R$ 44,15 ÷ 0,85).
  • Esquecer os impostos. Quem é MEI paga o DAS todo mês, venda ou não. Divida o valor pelo número de peças do mês para saber quanto cada uma precisa carregar. O valor atualizado está no Portal do Empreendedor.
  • Dar frete grátis sem conta. O frete não some: ele sai do seu lucro. Se oferecer frete grátis, coloque o valor médio do envio no preço.
  • Esquecer a embalagem. Caixa, plástico bolha, etiqueta e fita somam alguns reais por pedido.
  • Não revisar quando o material sobe. Se o rolo passa de R$ 100 para R$ 120 e o preço fica igual, uma peça de 50 gramas perde R$ 1,00 de lucro em cada venda.
  • Arredondar para baixo. Transformar R$ 44,15 em R$ 39,90 “para ficar bonito” tira R$ 4,25 de cada peça. Arredonde para cima: R$ 44,90 ou R$ 45,00.

Erros de precificação em cada canal de venda

O mesmo preço pode dar lucro num lugar e prejuízo em outro, porque cada canal tem custos próprios:

  • Instagram e WhatsApp: o custo escondido é o tempo de atendimento. Responder orçamento, mandar fotos e combinar a entrega também é trabalho. Se cada pedido toma 15 minutos de conversa e a sua hora vale R$ 25, são R$ 6,25 por pedido que precisam estar no preço.
  • Feiras e eventos: o estande, o transporte e a alimentação do dia são custos da venda. Divida o total pelo número de peças que você espera vender. Se a feira custa R$ 200 e você vende 40 peças, cada uma precisa carregar R$ 5.
  • Marketplaces: além da comissão, alguns cobram uma tarifa fixa por item e podem pedir que você pague parte do frete. Some tudo antes de fechar o preço, e confira as regras atuais da plataforma.

Por isso não tenha medo de ter preços diferentes em cada canal. O importante é que, depois de pagar os custos de cada um, sobre a mesma margem para você.

Erros de precificação em encomendas personalizadas

Peça sob encomenda tem riscos que a peça de prateleira não tem. Os erros mais caros aqui são estes:

  • Não cobrar a modelagem. Desenhar a peça leva horas, e essas horas são trabalho seu.
  • Não cobrar provas e ajustes. Se a peça precisa de uma impressão de teste, ela também gasta material e máquina.
  • Aceitar mudanças sem rever o preço. Cada alteração depois do orçamento aprovado é trabalho novo.
  • Começar sem sinal. Se o cliente desiste no meio, você fica com a peça e com o prejuízo.

Coloque também uma validade em todo orçamento. O Código de Defesa do Consumidor diz, no artigo 40, que o valor orçado de um serviço vale por dez dias quando não há outro prazo combinado, e que o orçamento aprovado só muda se as duas partes concordarem. Com a validade escrita, você não fecha hoje um preço calculado com o rolo de meses atrás.

Como montar um preço sem esses erros

A forma mais segura de não cair nesses erros é seguir sempre a mesma ordem, peça por peça:

Passo a passo para montar um preço sem erros: somar os custos, reservar para falhas, aplicar a margem, incluir taxas e revisar os custos
  1. Some filamento, energia, desgaste da máquina e o seu tempo.
  2. Acrescente a reserva para falhas, de 5% a 10% ou a sua taxa real.
  3. Aplique a margem com a fórmula certa: custo ÷ (1 − margem).
  4. Inclua as taxas da venda, a embalagem e a parte dos impostos.
  5. Compare o resultado com o mercado, sem copiar o preço de ninguém.
  6. Revise os custos sempre que comprar material ou a conta de luz mudar.

O guia de como precificar impressão 3D mostra cada passo com um exemplo completo, do preço do grama de filamento ao preço final arredondado.

Dá para controlar isso na planilha?

Dá. Uma planilha bem montada, com energia, desgaste, tempo e uma reserva para falhas, já evita a maioria desses erros. Muita gente começa assim e melhora bastante. O ponto fraco é lembrar de atualizar tudo e não deixar nenhum custo de fora quando os pedidos aumentam. O Meu Sócio 3D já traz esses custos no cálculo de cada peça, incluindo desgaste da máquina e falhas, para você não esquecer nenhum deles. São 7 dias grátis para testar, sem cartão.

Se quiser conferir o preço de uma peça agora, a calculadora de preço para impressão 3D do site é grátis e não pede cadastro: basta informar os gramas, as horas e os seus custos.

Perguntas frequentes sobre erros de precificação

Como saber se o meu preço está baixo demais?

Calcule o custo completo da peça, com energia, desgaste, tempo e falhas, e compare com o preço. Se o lucro que sobra não aguenta uma falha ou um desconto de 10%, o preço está apertado. Se o preço não cobre nem o custo, você está pagando para vender.

Posso aumentar o preço para quem já é cliente?

Pode. Avise com antecedência, explique o motivo, como o aumento do filamento, e mantenha o valor combinado nos pedidos que já foram aprovados. O preço novo vale para os próximos orçamentos.

Errei o preço num orçamento já enviado. E agora?

Se o cliente ainda não aprovou, mande a versão corrigida e explique o erro com franqueza. Se já aprovou, o orçamento vale e só muda se os dois concordarem. Cumpra o combinado e use o caso para revisar a sua conta.

Vale a pena vender mais barato no começo para conseguir clientes?

Com cuidado. Preço baixo atrai quem só olha o preço e fica difícil de subir depois. Se quiser uma condição de lançamento, use um desconto com data para acabar e nunca venda abaixo do custo completo da peça.

Preciso cobrar todos esses custos mesmo em peças baratas?

Sim. Em peças baratas, custos como o seu tempo e a embalagem pesam ainda mais, porque são quase iguais para qualquer tamanho de peça. Se o preço fica alto para o cliente, venda em kits ou em quantidade, dividindo o preparo entre várias peças.

Anderson Olsen

Criador do Meu Sócio 3D, sistema de gestão para makers e fazendas de impressão 3D. Sobre o autor · Todos os artigos

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