Resposta rápida: Para saber quanto cobrar por hora de impressão 3D, calcule o custo da hora de máquina (energia, desgaste e reserva para trocar a impressora), cobre o seu trabalho à parte pela sua hora e o filamento pelo peso. Depois aplique a margem. No exemplo deste post, a hora de máquina custa R$ 1,01 e uma peça de 6 horas sai por R$ 34,90.
Uma dúvida que aparece cedo para quem vende peças é quanto cobrar por hora de impressão 3D. Cobrar por hora ajuda a não esquecer que a máquina e o seu tempo têm valor, mesmo enquanto a impressora trabalha “sozinha”. Neste texto você vai aprender a montar o seu valor por hora, separando o custo da máquina do custo do seu trabalho, e vai ver quando cobrar por hora faz sentido e quando é melhor cobrar por peça.
Por que cobrar por hora de impressão 3D faz sentido
A impressão 3D é lenta. Uma peça simples leva 1 ou 2 horas. Uma peça grande pode passar de 10 horas. Durante todo esse tempo, sua máquina está ocupada e não pode fazer outra coisa. Isso tem um custo, mesmo que você não esteja ali na frente.
Pensar em quanto cobrar por hora de impressão 3D te obriga a enxergar dois valores que muita gente esquece: o custo de manter a máquina rodando e o custo do seu tempo de trabalho. Quando você cobra só pelo peso da peça, uma impressão demorada e leve pode sair no prejuízo, porque prende a máquina por horas mas usa pouco plástico.
Exemplo: uma peça vazada e detalhada de 30 gramas que leva 8 horas. Se você cobrasse só pelo filamento, seriam uns R$ 3. Mas ela prendeu a máquina por 8 horas. Cobrar por hora corrige essa distorção.
Como calcular o custo por hora de máquina
O custo por hora de máquina é quanto a impressora custa para você a cada hora ligada, sem contar o seu trabalho. Ele tem duas partes principais, energia e desgaste, e pode ter uma terceira: a reserva para comprar outra máquina um dia.

Parte 1: energia
A impressora gasta luz enquanto trabalha. Uma máquina comum puxa entre 100 e 150 watts. Para achar o custo por hora, use o preço do kWh (a unidade que aparece na conta de luz). Esse preço muda de uma distribuidora para outra, e a ANEEL explica como as tarifas são formadas.
Se a impressora gasta 120 watts, em 1 hora ela consome 0,12 kWh (120 dividido por 1000). Com o kWh a R$ 0,90, isso dá R$ 0,108 por hora de energia. Vamos arredondar para R$ 0,11 por hora. Para medir os watts da sua máquina, veja como calcular o gasto de energia da impressora 3D.
Parte 2: desgaste
A máquina se gasta com o uso. Bico, correias, rolamentos, ventoinhas e placa têm prazo de validade. Chamamos de desgaste o valor que a impressora “perde” por hora rodando. No guia de manutenção das impressoras MK4, a Prusa, fabricante de impressoras, recomenda revisar eixos, rolamentos e correias a cada 200 horas de impressão. Ou seja, quanto mais a máquina roda, mais manutenção ela pede.
Uma forma fácil de estimar: some quanto você gasta por ano em manutenção e troca de peças, e divida pelas horas que a máquina roda no ano. Digamos R$ 600 por ano em peças e reparos, e a máquina roda 1.500 horas no ano. Isso dá R$ 0,40 por hora de desgaste.
Alguns makers também incluem aqui um pedacinho do valor da própria impressora, para juntar dinheiro e comprar outra quando essa “morrer”. Se a impressora custou R$ 2.000 e você espera que ela dure 4.000 horas de uso, isso são R$ 0,50 por hora. Você pode somar ou não, é uma escolha sua. Esse custo se chama depreciação da impressora 3D, e o post sobre ele mostra como estimar a vida útil da máquina.
Juntando tudo
| Custo por hora de máquina | Valor |
|---|---|
| Energia (120 W, kWh R$ 0,90) | R$ 0,11 |
| Desgaste (manutenção) | R$ 0,40 |
| Reserva para nova máquina | R$ 0,50 |
| Total por hora de máquina | R$ 1,01 |
Então, no nosso exemplo, cada hora que a impressora roda custa cerca de R$ 1,01, mesmo sem você fazer nada. Esse é o piso: você não pode cobrar por hora menos do que isso, senão perde dinheiro só de ligar a máquina.
Como somar o tempo de trabalho humano
O custo por hora de máquina não inclui o seu esforço. E tem bastante trabalho humano em cada peça, mesmo que a máquina imprima sozinha:
- Preparar o arquivo no fatiador e ajustar a máquina.
- Colocar o filamento e iniciar a impressão.
- Tirar a peça da mesa quando termina.
- Remover o suporte (aquela estrutura extra que segura a peça).
- Fazer o acabamento: lixar, colar, pintar, montar.
Esse tempo é o seu, e ele não roda junto com a máquina. Muitas vezes a impressora trabalha 6 horas sozinha, mas o seu trabalho humano foi de 30 minutos. Você precisa cobrar pelas duas coisas de forma separada.
Defina quanto vale a sua hora de trabalho. Vamos usar R$ 20 por hora. Se você gastou 30 minutos entre preparar e finalizar, isso são R$ 10 de mão de obra naquela peça.
Não misture as duas horas. A hora de máquina (R$ 1,01) é bem mais barata que a sua hora de trabalho (R$ 20). Se você somar tudo como se fosse a mesma coisa, o preço sai errado.
Quando a peça tem lixa, pintura ou montagem, esse tempo pode passar fácil das horas de preparo. Cronometre o acabamento de algumas peças para saber quanto ele leva de verdade. O post sobre quanto cobrar por pós-processamento mostra como cobrar cada etapa.
Exemplo de valor por hora na prática
Vamos precificar uma peça que leva 6 horas de máquina e 30 minutos do seu trabalho. Usa 50 gramas de PLA a R$ 0,10 por grama.
| Item | Conta | Valor |
|---|---|---|
| Filamento | 50 g x R$ 0,10 | R$ 5,00 |
| Hora de máquina | 6 h x R$ 1,01 | R$ 6,06 |
| Mão de obra | 30 min a R$ 20/h | R$ 10,00 |
| Embalagem | fixo | R$ 2,00 |
| Custo total | soma | R$ 23,06 |
Com o custo de R$ 23,06, você aplica sua margem de lucro. Se quiser 50%, multiplique por 1,5 e chega em cerca de R$ 34,60. Arredonde para R$ 34,90.
Repare como o valor por hora de máquina (R$ 6,06 pelas 6 horas) apareceu de forma clara. Se você tivesse esquecido ele, cobraria menos e não perceberia que a máquina ficou 6 horas ocupada com uma peça só.
Aqui os 50% foram somados em cima do custo. Se você pensa em margem sobre o preço de venda, a conta é outra, e a diferença muda o preço. O post sobre margem de lucro na impressão 3D explica as duas formas.
Quanto custa a hora de máquina em impressoras diferentes?
O custo por hora muda bastante de uma máquina para outra. Veja três exemplos, todos com o kWh a R$ 0,90. Os valores são só para a conta: troque pelos da sua máquina.

| Impressora | Energia | Manutenção | Reserva para nova máquina | Total por hora |
|---|---|---|---|---|
| De entrada, 100 W, custou R$ 1.500 | R$ 0,09 | R$ 0,30 (R$ 300 por ano em 1.000 h) | R$ 0,50 (vida de 3.000 h) | R$ 0,89 |
| Do exemplo, 120 W, custou R$ 2.000 | R$ 0,11 | R$ 0,40 (R$ 600 por ano em 1.500 h) | R$ 0,50 (vida de 4.000 h) | R$ 1,01 |
| Mais rápida, 200 W, custou R$ 6.000 | R$ 0,18 | R$ 0,60 (R$ 900 por ano em 1.500 h) | R$ 1,20 (vida de 5.000 h) | R$ 1,98 |
Repare que o preço da máquina pesa mais do que a energia. Na impressora de R$ 6.000, só a reserva para trocar a máquina passa de R$ 1 por hora. Em compensação, uma máquina mais rápida termina a mesma peça em menos horas, então o custo por peça pode ficar parecido.
Por isso, quem tem mais de uma impressora deve calcular a hora de cada uma. Usar um valor só para todas faz a peça impressa na máquina mais cara sair barata demais.
Quanto devo cobrar por hora de impressão 3D?
Não existe um valor único que sirva para todo mundo, porque depende da sua conta de luz, do quanto sua máquina custou e de quanto você quer ganhar por hora de trabalho. O caminho certo para decidir quanto cobrar por hora de impressão 3D é calcular o seu custo por hora de máquina (energia mais desgaste) e definir separado o valor da sua hora humana.
Nos exemplos da tabela acima, a hora de máquina ficou entre R$ 0,89 e R$ 1,98. Já a sua hora de trabalho depende de quanto você quer ganhar por mês e de quantas horas dedica ao negócio. Quem quer tirar R$ 3.000 trabalhando 120 horas no mês precisa de R$ 25 por hora.
Como montar um valor único por hora
Para responder orçamentos rápido, dá para juntar tudo num valor único por hora de impressão, que já inclui a máquina, o seu trabalho e o lucro. Aí o preço fica assim: horas da peça vezes esse valor, mais o material. Para montar o seu, use uma peça típica do que você vende. No exemplo deste post, ela leva 6 horas de máquina e 30 minutos do seu trabalho:
- Custo da máquina por hora: R$ 1,01.
- Seu trabalho dividido pelas horas de máquina: R$ 10 ÷ 6 h = R$ 1,67 por hora.
- Soma dos dois: R$ 2,68 por hora.
- Com 50% em cima: R$ 2,68 × 1,5 = R$ 4,02. Arredonde para R$ 4 por hora.
O preço da peça vira: 6 horas vezes R$ 4, mais o filamento e a embalagem com os mesmos 50% ((R$ 5 + R$ 2) × 1,5 = R$ 10,50). Total: R$ 34,50, quase o mesmo resultado da conta completa, que deu cerca de R$ 34,60.
O risco do valor único
O valor único funciona bem para peças parecidas com a peça típica. O problema aparece quando a peça foge do padrão. Imagine uma peça de 20 gramas que imprime em 2 horas, mas exige 1 hora de acabamento.
Pelo valor único, ela sairia por 2 vezes R$ 4, mais R$ 6 de filamento e embalagem com os 50% ((R$ 2 + R$ 2) × 1,5): R$ 14,00. Pela conta completa, o custo é R$ 26,02 (R$ 2 de filamento, R$ 2,02 de máquina, R$ 20 do seu trabalho e R$ 2 de embalagem), e o preço com 50% fica em R$ 39,03.
Ou seja, o valor único cobraria só pouco mais de um terço do valor certo. Use-o para orçar rápido as peças comuns e faça a conta completa sempre que a peça tiver muito trabalho manual.
E as peças que imprimem em menos de uma hora?
Em peças curtas, o tempo de preparo pesa mais do que a máquina. Fatiar, preparar a mesa, retirar e embalar leva quase o mesmo tempo numa peça de 20 minutos ou de 5 horas.
Veja um exemplo: 10 minutos de preparo a R$ 20 por hora custam R$ 3,33. A máquina, em 20 minutos, custa só R$ 0,34 (um terço de R$ 1,01). O seu trabalho vale quase dez vezes a hora de máquina dessa peça.
Para não perder dinheiro com pedidos pequenos, você tem dois caminhos. O primeiro é juntar várias peças curtas na mesma mesa, dividindo o preparo entre elas. O segundo é definir um valor mínimo por pedido, que cubra pelo menos o preparo, a embalagem e o atendimento.
Exemplo: se preparar, embalar e responder o cliente leva 20 minutos, isso custa R$ 6,67 do seu tempo a R$ 20 por hora. Com R$ 1,50 de embalagem, são R$ 8,17 antes de imprimir qualquer coisa. Um pedido mínimo de R$ 15 ainda deixa R$ 6,83 para o material, a máquina e o lucro. Se o cliente quiser só uma peça pequena, ele paga o mínimo; se levar mais, o preparo se divide entre as peças.
Erros comuns ao cobrar por hora
Quem começa a cobrar por hora costuma tropeçar nestes pontos:
- Usar a mesma hora para a máquina e para você. A hora de máquina (R$ 1,01 no exemplo) e a sua hora (R$ 20) são valores muito diferentes.
- Cobrar as horas e esquecer o filamento. O material entra à parte, pelo peso da peça.
- Confiar só no tempo do fatiador. A estimativa pode errar. Compare com o tempo real de algumas impressões e ajuste.
- Esquecer as falhas. Uma peça que falha na quinta hora gastou 5 horas de máquina. Inclua uma reserva para isso no custo.
- Não revisar o valor. Mudou a tarifa de luz, o gasto com manutenção ou a máquina? Refaça a conta.
- Usar o valor único em peça com muito acabamento. Como você viu, ele pode cobrar só um terço do valor certo.
Quando cobrar por hora e quando cobrar por peça
Cobrar por hora nem sempre é o melhor. Depende do tipo de trabalho:

- Cobre por peça quando você vende o mesmo produto várias vezes (chaveiros, vasos, brindes). Você calcula o custo uma vez e repete o preço. Fica mais rápido e o cliente entende melhor.
- Cobre por hora quando o trabalho é sob medida, com muito acabamento ou peças grandes que prendem a máquina por muito tempo. Também serve para orçamentos de projetos, quando você não sabe direito quanto tempo vai levar.
Na verdade, mesmo quando você cobra “por peça”, o valor por hora está lá dentro, escondido no cálculo. Cobrar por peça é só uma forma de mostrar o preço pronto para o cliente, depois de já ter feito a conta com as horas de máquina e de trabalho.
Dá para montar tudo isso numa planilha: anotar o custo por hora de máquina, o valor da sua hora de trabalho, e multiplicar pelas horas de cada peça. Funciona, mas dá trabalho refazer a conta toda vez que muda o tempo.
O Meu Sócio 3D já calcula quanto cobrar por hora de impressão 3D de forma automática: você cadastra o custo da máquina e o valor da sua hora uma vez, informa o tempo, e ele monta o preço com a margem que você escolher. São 7 dias grátis para testar, sem cartão.
Para ver como a hora de máquina entra no preço completo, com falhas, margem e taxas da venda, siga o guia de como precificar impressão 3D. E, para testar uma peça agora, a calculadora de preço para impressão 3D do site é grátis e não pede cadastro.
Perguntas frequentes sobre quanto cobrar por hora de impressão 3D
Cobro a hora de máquina quando a impressão falha?
Não do cliente. Ele paga pela peça pronta. As horas perdidas nas falhas entram numa reserva, de 5% a 10% sobre o custo, que você soma em todas as peças. Assim as falhas ficam pagas sem uma cobrança a mais no orçamento.
Posso cobrar menos por hora em peças muito longas?
Pode, como um desconto por volume, já que a máquina trabalha sozinha e o seu tempo por hora de impressão cai. Só nunca desça abaixo do custo da hora de máquina, que no exemplo deste post é R$ 1,01.
Impressora mais rápida deve cobrar mais por hora?
Faz sentido, porque ela costuma custar mais e entrega mais peça em cada hora. O cliente não paga horas, paga a peça. Se a máquina rápida faz a mesma peça na metade do tempo, ela pode ter uma hora mais cara e ainda assim entregar um preço menor.
Na impressora de resina a conta por hora é igual?
A lógica é a mesma, mas o tempo funciona diferente. Na resina, a impressão demora de acordo com a altura da peça, e não com a quantidade de peças. Várias peças na mesma placa levam quase o mesmo tempo que uma. Por isso, divida as horas entre as peças da placa.
Como cobrar a hora de modelagem?
A modelagem é trabalho seu, então entra pela sua hora, e não pela hora de máquina. Estime quantas horas o desenho vai levar, combine o valor antes de começar e cobre à parte da impressão. Se o cliente pedir mudanças, deixe claro quantas estão incluídas.



