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Quantas impressoras 3D preciso para viver de impressão 3D?

Conta passo a passo para descobrir quantas impressoras você precisa para tirar o salário que deseja, considerando ocupação, custos e tempo de trabalho.

Quantas impressoras 3D preciso para viver de impressão 3D?
Neste artigo

Resposta rápida: Não existe um número fixo para viver de impressão 3D: depende do salário que você quer, de quanto cada impressora lucra e de quantas horas por mês você consegue vender. No exemplo deste guia, quem quer tirar R$ 3.000 por mês, com R$ 800 de custos fixos, precisa de 4 impressoras com vendas constantes. Com produtos de maior valor, como peças personalizadas, pintura e modelagem, bastam menos máquinas.

“Quantas impressoras eu preciso para largar o emprego?” é uma dúvida comum. A resposta honesta é: depende menos das impressoras e mais das vendas. Uma impressora parada não paga nenhuma conta. Mas dá para fazer uma conta que mostra o caminho para viver de impressão 3D, e é ela que você vai ver aqui, passo a passo.

Passo 1: defina o salário que você quer

Comece pelo valor que você precisa tirar por mês para viver, o seu pró-labore. Veja como definir o pró-labore. Neste exemplo, vamos usar R$ 3.000 por mês.

O pró-labore é a retirada mensal do dono pelo trabalho que ele faz no negócio. Ele é diferente do lucro: primeiro o negócio paga os custos e o seu trabalho, e só o que sobra depois disso é lucro. Para chegar ao seu número, some as contas fixas da casa, como aluguel, mercado, luz, transporte e plano de saúde, e acrescente uma folga para imprevistos.

Se você vai sair de um emprego com carteira assinada, lembre que 13º salário, férias remuneradas e FGTS deixam de existir. Uma parte desses valores precisa entrar no pró-labore, senão o salário do negócio parece igual ao antigo, mas rende menos no ano.

Passo 2: calcule quanto sobra por impressora

Cada impressora gera uma “sobra” depois de pagar filamento, energia, desgaste, embalagens, taxas e falhas. Veja a conta completa em quanto fatura uma impressora 3D por mês.

Cenário por impressoraHoras vendidas no mêsSobra aproximada
Pouco ocupada80 hR$ 430
Vendas constantes220 hR$ 1.180
Muito ocupada400 hR$ 2.150

Valores com preço médio de R$ 10 por hora de impressão, arredondados para facilitar a conta.

No cenário de vendas constantes, por exemplo, as 220 horas faturam R$ 2.200. Saem R$ 550 de filamento, R$ 26 de energia, R$ 110 de desgaste, R$ 110 de embalagens e R$ 220 de taxas e falhas. Sobram cerca de R$ 1.180. Se os seus custos forem diferentes, refaça essa linha com os seus números antes de seguir.

Passo 3: some os custos fixos do negócio

Além dos custos de cada peça, o negócio tem custos fixos: MEI, internet, sistema, aluguel (se houver), parcelas. Exemplo:

Custo fixoValor mensal
DAS do MEIR$ 80
Internet e telefoneR$ 100
Aplicativos e serviços onlineR$ 20
Parcelas de impressorasR$ 600
TotalR$ 800

Esses valores são só um exemplo. O valor do DAS muda todo ano, e as parcelas dependem de como você comprou as máquinas. Use os seus números. Se a produção sair de casa para uma sala alugada, o aluguel entra aqui e muda bastante a conta.

Passo 4: faça a conta

Com o salário, a sobra por impressora e os custos fixos em mãos, a conta é uma divisão simples.

Cálculo de quantas impressoras são necessárias para viver de impressão 3D com R$ 3.000 por mês: R$ 3.800 divididos por R$ 1.180

Impressoras necessárias = (salário desejado + custos fixos) ÷ sobra por impressora

Com vendas constantes (R$ 1.180 por impressora):

(R$ 3.000 + R$ 800) ÷ R$ 1.180 = 3,2 impressoras, ou seja, 4 impressoras.

Se as impressoras ficarem pouco ocupadas (R$ 430 cada), seriam necessárias 9 máquinas, o que mostra que o problema, nesse caso, é falta de vendas, não de impressoras.

Arredonde sempre para cima. Com 3 impressoras, faltariam cerca de R$ 260 por mês para fechar a meta, já que 3 × R$ 1.180 dá R$ 3.540. A quarta máquina cobre essa diferença e ainda deixa uma folga para meses mais fracos.

E se a meta for outra?

A mesma fórmula serve para qualquer salário. Mantendo R$ 800 de custos fixos e R$ 1.180 de sobra por impressora, veja como o número de máquinas muda:

Salário desejadoContaImpressoras
R$ 2.000R$ 2.800 ÷ R$ 1.180 = 2,43
R$ 3.000R$ 3.800 ÷ R$ 1.180 = 3,24
R$ 4.000R$ 4.800 ÷ R$ 1.180 = 4,15
R$ 5.000R$ 5.800 ÷ R$ 1.180 = 4,95

Repare que as metas de R$ 4.000 e R$ 5.000 pedem o mesmo número de máquinas. Na primeira, a quinta impressora fica com bastante folga. Na segunda, as cinco trabalham quase no limite. E, a partir de cinco, o seu tempo e os custos fixos também começam a crescer, como você vai ver mais abaixo.

Quanto custa chegar lá?

Se cada impressora custa R$ 3.000, as quatro do exemplo principal somam R$ 12.000, sem contar estantes, adequação elétrica e estoque de filamento. Comprar tudo de uma vez, com dívida e antes de ter pedidos, é o caminho mais arriscado. Mais abaixo, a simulação com reinvestimento mostra outra forma de juntar as máquinas.

O fator que mais pesa: horas vendidas

Veja como a ocupação muda a resposta para o mesmo salário de R$ 3.000, com os mesmos R$ 800 de custos fixos.

Tabela que mostra como as horas vendidas mudam o número de impressoras: 9 máquinas com 80 horas por mês e 3 com 300 horas
Ocupação médiaSobra por impressoraImpressoras necessárias
80 h por mês (pouca venda)R$ 4309
150 h por mêsR$ 8105
220 h por mês (vendas constantes)R$ 1.1804
300 h por mêsR$ 1.6103

Antes de comprar a próxima impressora, pergunte: as que eu já tenho estão ocupadas? O guia quando vale a pena comprar mais uma impressora mostra os sinais.

Existe um limite para uma pessoa só?

Sim. Mesmo com muitas impressoras, alguém precisa atender clientes, preparar arquivos, trocar filamento, retirar peças, fazer acabamento, embalar e entregar. Uma pessoa sozinha costuma conseguir cuidar de 4 a 8 impressoras de produção, dependendo do tipo de peça e do nível de acabamento. Acima disso, é preciso organização de fazenda ou ajuda. Veja fazenda de impressão 3D.

Faça a conta do seu tempo

Suponha que cada impressora peça cerca de 30 horas do seu trabalho por mês, somando preparar, retirar, dar acabamento, embalar e atender. Quatro impressoras somam 120 horas. Com 22 dias de 8 horas, você tem 176 horas no mês, e sobram 56 para divulgar, comprar material, entregar e cuidar das contas.

Com seis impressoras no mesmo ritmo, seriam 180 horas, mais do que o mês inteiro de trabalho. Já se as suas peças pedem só 20 horas por impressora, porque saem em lote e quase sem acabamento, oito máquinas somam 160 horas e ainda cabem no mês. É essa conta que explica a diferença entre 4 e 8 impressoras por pessoa.

Outra forma de chegar lá: aumentar o valor de cada hora

Em vez de só multiplicar impressoras, dá para ganhar mais por hora de trabalho:

  • Personalização: nomes, datas e fotos (litofanias) valem mais.
  • Acabamento e pintura: o trabalho manual pode valer mais que a impressão, desde que entre no preço.
  • Modelagem sob medida: peças de reposição e projetos exclusivos.
  • Clientes empresas: pedidos maiores e recorrentes.

Com preço médio de R$ 18 por hora em vez de R$ 10, a sobra por impressora mais que dobra, e o número de máquinas necessárias cai.

Veja a conta com 220 horas a R$ 18 por hora: o faturamento vai a R$ 3.960. Filamento, energia, desgaste e embalagens continuam praticamente os mesmos, R$ 796 no total, e as taxas e falhas, de 10%, sobem para R$ 396. Sobram R$ 2.768 por impressora. Com essa sobra, (R$ 3.000 + R$ 800) ÷ R$ 2.768 = 1,4, ou seja, 2 impressoras bastam.

O porém: peças personalizadas, pintura e modelagem tomam mais do seu tempo, e é exatamente esse tempo que o preço maior paga. Antes de subir o preço, confira se as suas horas cabem no mês.

E os custos que crescem com mais impressoras?

Cada nova impressora não traz só mais faturamento. Traz também:

  • Mais consumo de energia, que pode exigir adequação elétrica.
  • Mais manutenção e peças de reposição, que entram no custo por hora de cada máquina, junto com a perda de valor da própria impressora ao longo do tempo (a depreciação).
  • Mais espaço, às vezes um cômodo só para a produção.
  • Mais tempo de trabalho para abastecer, retirar e embalar.

Inclua esses custos na conta antes de comprar. Às vezes, a quarta impressora aumenta o faturamento, mas quase não aumenta o lucro.

Viver de impressão 3D cabe no MEI?

Muita gente começa como MEI, e faz sentido. Mas, quando o objetivo é viver de impressão 3D, vale olhar o faturamento do ano, e não só o do mês. O MEI tem um limite de faturamento anual, e quem passa dele precisa mudar de categoria.

Veja o exemplo deste guia: 4 impressoras com vendas constantes faturam cerca de R$ 2.200 cada por mês, ou R$ 8.800 no total. Em 12 meses, são R$ 105.600. Confira o limite atual no Portal do Empreendedor, o site oficial do governo para microempreendedores, e converse com um contador antes de chegar perto dele. Mudar de categoria muda os impostos, e isso também precisa entrar na conta das impressoras.

Quanto tempo leva para chegar lá?

Depende de quanto você vende hoje. Não há atalho, mas há um caminho que costuma funcionar, com uma etapa pagando a outra.

Passo a passo para viver de impressão 3D: começar com uma impressora, ocupar a máquina, comprar a segunda com lucro e definir o pró-labore
  1. Começar com uma impressora como renda extra.
  2. Ocupar a primeira com vendas constantes.
  3. Comprar a segunda com o lucro, não com dívida.
  4. Separar as contas e definir o pró-labore.
  5. Crescer até 3 ou 4 máquinas e avaliar se a renda cobre seus gastos por alguns meses seguidos.

Só deixe o emprego quando a renda do negócio cobrir suas contas por 3 a 6 meses e você tiver uma reserva. O artigo sobre impressão 3D como renda extra traz dicas para essa fase.

Uma simulação com reinvestimento

Imagine que você guarda R$ 500 por mês da sobra da primeira impressora. Em 6 meses, junta os R$ 3.000 da segunda. Com duas máquinas ocupadas, guardando R$ 1.000 por mês, a terceira vem em mais 3 meses, e a quarta em outros 3. São cerca de 12 meses até as 4 impressoras do exemplo, sem parcelas.

Essa simulação só funciona se os pedidos crescerem junto com as máquinas. Se a segunda impressora ficar parada, o ritmo de compra deve esperar as vendas, e não o contrário.

Quanto guardar antes de largar o emprego?

São duas reservas diferentes. A primeira é a sua: o dinheiro para pagar as contas da casa se o negócio tiver meses fracos. Se as suas contas somam R$ 3.000 por mês e você quer 6 meses de folga, a reserva pessoal é de R$ 18.000.

A segunda é a do negócio: dinheiro para trocar uma peça cara, comprar filamento em um mês de muitos pedidos ou cobrir uma máquina parada. Ela fica separada da reserva pessoal, para que um problema na produção não vire um problema em casa.

Uma referência simples para a reserva do negócio é ter pelo menos um mês de filamento guardado. No exemplo das 4 impressoras, isso dá 4 × R$ 550 = R$ 2.200, além do valor das peças que mais se desgastam, como bicos, correias e superfícies de mesa.

O que fazer em um mês fraco?

Quem vive de impressão 3D vai ter meses abaixo da média. O importante é ter um plano antes que eles cheguem:

  • Use a reserva do negócio para as contas da produção, sem mexer na reserva pessoal.
  • Imprima produtos de pronta entrega para as datas fortes que vêm pela frente.
  • Fale com clientes antigos. Quem já comprou responde mais rápido a uma novidade do que quem nunca ouviu falar de você.
  • Revise os preços e os custos. Às vezes, o mês fraco mostra que um produto deixou de dar lucro.
  • Adiante a manutenção. Máquinas paradas por falta de pedidos são a chance de trocar bicos e correias sem atrasar ninguém.

Erros comuns de quem quer viver de impressão 3D

  • Fazer a conta com as 720 horas do mês. Nenhuma impressora de pequeno negócio vende todas elas.
  • Esquecer os custos fixos. DAS, internet, parcelas e aluguel saem antes do seu salário.
  • Não contar o próprio tempo. Se as horas de trabalho não cabem no mês, o plano não fecha, por mais máquinas que você tenha.
  • Largar o emprego no mês mais forte. Um Natal bom não garante o resto do ano.
  • Depender de um só cliente ou produto. Se ele parar de comprar, a renda cai de uma vez.
  • Misturar o dinheiro da casa com o do negócio. Sem separação, ninguém sabe se o salário está saindo do lucro ou do caixa.

Como acompanhar se está no caminho?

Acompanhe todo mês o faturamento, o lucro e as horas vendidas por impressora. Se as máquinas estão cheias e o lucro não chega no salário desejado, o problema é preço. Se estão vazias, o problema é venda. No Meu Sócio 3D, o painel financeiro mostra receita, custos e lucro do mês, e cada impressora tem sua depreciação por hora cadastrada.

Uma forma prática é comparar, todo mês, os seus números com os da meta. No exemplo deste guia, um mês no caminho certo fica assim:

Indicador do mêsMeta do exemplo
Horas vendidas por impressora220 h
Faturamento das 4 impressorasR$ 8.800
Sobra das 4 impressorasR$ 4.720
Custos fixosR$ 800
Pró-laboreR$ 3.000
Folga para reserva e reinvestimentoR$ 920

Se a folga ficar negativa por dois ou três meses seguidos, é sinal de que as horas vendidas ou o preço por hora estão abaixo do necessário.

Sinais de que você está pronto

Antes de dar o passo, confira se o seu negócio já mostra estes sinais:

  • A renda do negócio cobre as suas contas há pelo menos 3 meses seguidos.
  • As impressoras ficam ocupadas a maior parte do mês com peças já vendidas.
  • Você tem clientes que voltam a comprar, e não só pedidos únicos.
  • O pró-labore está definido e separado do caixa do negócio.
  • Existe uma reserva pessoal e uma reserva do negócio.
  • Você sabe quanto cada produto lucra por hora de máquina.
  • As suas horas de trabalho cabem no mês, sem contar com noites inteiras acordado.

Perguntas frequentes sobre viver de impressão 3D

Dá para viver de impressão 3D com uma impressora?

É difícil viver com uma impressora vendendo peças genéricas. Com produtos de maior valor, pintura, modelagem ou clientes empresas, uma ou duas impressoras podem gerar uma renda complementar importante. Para virar salário inteiro, quase sempre é preciso mais máquinas ou mais valor por hora.

Quantas impressoras uma pessoa consegue operar sozinha?

Em geral, de 4 a 8 impressoras de produção, dependendo do tamanho das peças, do acabamento e do tempo de atendimento. Peças em lote e com pouco acabamento permitem mais máquinas; peças personalizadas e pintadas, menos.

É melhor ter mais impressoras ou vender mais caro?

Os dois ajudam, mas vender mais caro por hora costuma ser mais rápido e barato do que comprar máquinas. Mais impressoras só fazem sentido quando as atuais estão ocupadas e os pedidos continuam chegando.

Quando posso largar o emprego para viver de impressão 3D?

Quando a renda do negócio cobrir suas contas por 3 a 6 meses seguidos e você tiver uma reserva de emergência. Olhe a média desses meses, e não só o mês mais forte, porque datas como Natal e Dia das Mães puxam as vendas para cima.

FDM ou resina para viver de impressão 3D?

Depende do nicho. FDM atende a maioria dos produtos de venda, como decoração, peças técnicas e brindes. Resina é melhor para miniaturas e peças muito detalhadas, que valem mais por peça, mas pedem lavagem, cura e mais cuidado com ventilação.

Preciso de um espaço só para as impressoras?

Com uma ou duas, um canto organizado resolve. A partir de três ou quatro, um cômodo separado ajuda bastante: as máquinas fazem barulho, esquentam o ambiente e pedem ventilação. Também fica mais fácil manter um circuito elétrico próprio para elas.

Anderson Olsen

Criador do Meu Sócio 3D, sistema de gestão para makers e fazendas de impressão 3D. Sobre o autor · Todos os artigos

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